Curiosidades sobre os Nkinsis

Você sabia…

  • Que Unjira é o grande agente mágico da natureza, trabalhando sob as ordens dos Nkinsis, combatendo as larvas negativas que envolvem a humanidade?
  • Que Nkos’i é o Nkinsi encarregado de combater as demandas íntimas de cada um, abrindo os caminhos para os seres humanos em seu cotidiano, sendo também o Deus do aço, ferro, estradas, militares e tudo o que representa perigo?
  • Que Katendê é o Deus das folhas, raízes e tudo o que representa a farmacopéia, pois, este Nkinsi é o encarregado de fornecer as ervas para a cura dos males físicos como também absorver através do sistema ecológico as influências negativas que vem através da mudança do tempo?
  • Que Mutakalambo é o Deus da Caça, tendo sob sua responsabilidade o elemento “ar” a procura das almas a serem encaminhadas a um mundo melhor, segundo o merecimento de cada um?
  • Que Nsumbo, é o Deus da varíola, atuando positivamente nas doenças de pele, como também é o encarregado de cura-las? Existem mais dois Nkinsis irmãos com as mesmas características: Ktembu (Tempo), o menino na adolescência, Tingongo o velho alquebrado, mas inteligente como os demais, consciente e seguro do seu poder.
  • Que Nzazi é o Deus da justiça, da inteligência, dos intelectuais, da sabedoria? Seu domínio está sob as grandes pedreiras. Em alguns casos podem ser evocados para vencer demandas, desde que estas estejam alicerçadas pelas mãos justiceiras da lei.
  • Que Angorô é o mensageiro de Nzazi? Deus do Arco-Íris. Nkinsi encarregado de trazer as águas do céu para a terra e levá-la de volta no momento oportuno. Esse Nkinsi é o intermediário entre o céu e a terra, formando a aliança da sabedoria e do amor universal.
  • Que Vunji é a apresentação infantil. O símbolo da inocência? Vunji é o Nkinsi que sempre aparece para trazer paz e calma as Muzenzas.
  • Que Angurucemanvula, é o Nkinsi das ventanias e deusa dos mortos (Nvumbi), encarregada de dar proteção aos espíritos desencarnados, desde que estes tenham cumprido fielmente seus deveres, para que os mesmos não caiam em mãos de espíritos inferiores tentando desencaminhá-los, atraindo-os para os mundos inferiores.
  • Que Dangualunda é a deusa do amor e da sabedoria, da beleza, meiga e carinhosa? Sua cor preferida é o amarelo ouro, sendo perfeitamente justificada esta preferência, pois ela domina também as riquezas do subsolo, sendo válida a afirmação de que Dangualunda é a protetora de Minas Gerais.
  • Que Kaiari é a deusa das águas salgadas? É a mãe pura e perfeita. Domina a prata e as pérolas, tendo também predileção pelo azul e branco.
  • Que Nzumba é a deusa de todas as águas, a avó carinhosa e amorosa, domina as ruínas e mangues, fornece energia fluídica para eliminar as larvas negativas de nossos pensamentos? Está sempre disposta a embalar e acalentar seus filhos, dando lhes energia para viver.
  • Que Kas’ute, juntamente com Lembaranganga representam a pureza? Justificando pelo uso da cor branca.

Formação de fiéis e aperfeiçoamento para o Candomblé

O tema que nos propomos apresentar é o da formação e do aperfeiçoamento dos fiéis. Trataremos aqui do médium iniciado e não do fiel que apenas freqüenta as casas de Candomblé, pois são aos iniciados que estão entregues os destinos de nossa religião. Denomino aqui o Candomblé como religião por ser ele seguido por grande parte dos habitantes de nosso país.

Sabemos que por falta de conhecimento muitos elementos que militam em nossa religião cometem erros por vezes infantis, e que refletem diretamente em seus zeladores, conseqüentemente, naqueles bem intencionados que lutam dia e noite em favor da religião que nos foi legada pelos nossos ancestrais e trazidos de tão longínquas terras africanas, conforme nos deram notícias nossos antecedentes e antecessores. Aliás, eles nos têm prestado inúmeros benefícios, quer na palavra meiga de um Preto Velho, ou nos eflúvios bendito de nossos Nkinsis.

Torna-se necessário que examinemos as questões dentro de um terreiro. Neste local, é necessário que haja uma conscientização do que sejam equilíbrio moral, tolerância e amor ao próximo, armas poderosas a fim de nos aperfeiçoar e, dessa forma, criarmos em nosso redor, chamas positivas de bem estar e que automaticamente transmitiremos aos nossos irmãos de fé, iniciados.

Dentro de um terreiro as inúmeras funções que desempenhamos com amor e carinho nos levarão um dia, diante de Nzambi, com a certeza da missão cumprida.

Somos sempre procurados, em nossos terreiros por fiéis que desejam saber se determinado irmão está demandando com outro irmão ou com ele próprio. Esquecem ou esqueceram estes irmãos que a demanda é tão ruim para quem ganha como para quem perde. Na realidade ambos saem perdendo. O que é necessário é que cada um procure melhorar seus atos e pensamentos. Demanda é um termo que deveríamos abolir. Nunca deveria ter chegado a existir. Destacamos a palavra “demanda” porque ela é muitíssimo usada nos meios mediúnicos. Mas a série de formação errônea para o mal intencionado não para por aí.

Não será a demanda uma forma de inferioridade de quem a provoca e de quem a aceita? Seria melhor que não existisse esse termo e nem o seu conceito fosse difundido.

O melhor seria que pudéssemos substituí-lo por aprendizado correto.

Vamos treinar o perdão e pregar a não violência, pois, demanda é uma provocação. Quando deixar de existir os terreiros que aceitam demandas, teremos, por certo, maior número de irmãos e fiéis.

Após a injeção de ânimo poderemos nos preparar para a caminhada de paz e do progresso inoculado nas almas dos homens desviados da senda do bem comum.

A mediunidade a serviço da demanda não só é perigosa como não consta das Leis de Nzambi (Deus). É sabido que um médium galga gradativamente seu estágio de formação. Este médium, ao transpor os umbrais de nossa religião, traz consigo uma responsabilidade muito grande, qual seja a de respeitar e transmitir aos iniciantes seus ensinamentos. Como fazer isto se não houver uma formação e um aperfeiçoamento adequado?

O médium ou elemento iniciante deve saber pautar os seus atos e perdoar quando necessário. Existem inúmeros médiuns espalhados pelo Brasil, mas infelizmente grande maioria carece de ensinamentos mais apurados, de orientação mais adequada para não causar inúmeros acontecimentos desagradáveis. Vimos formando médiuns, por muitos anos, utilizando-nos da divulgação dos próprios benefícios obtidos e assim arrebanhando inúmeros supostos Umbandistas ou Candomblecistas que foram agregando valores sem que houvesse o conhecimento mais apurado desse saber e muitas vezes, a própria falta de escrúpulos os fizeram deturpar os nossos objetivos, colocando-nos em ridículo diante da opinião pública.

É nosso dever seguir em frente, lutando pela qualidade e não pela quantidade.

Precisamos separar o joio do trigo.

Agora meus irmãos e amigos, a parte mais terrível da formação sem base e que ocorre de um modo geral em alguns Candomblés é aquela em que alguns zeladores, com a vista voltada aos seus interesses particulares, arvoram-se em verdadeiros donos da sabedoria e da verdade, criando novos médiuns em idênticas condições, predominando a falta de conhecimentos, numa verdadeira bola de neve que cresce sempre. Transformarão ou pretendem transformar, ou mesmo não se importam em transformar a religião numa verdadeira fábrica para fazer médiuns. Não existe preparação, exame e consciência. Existe apenas o fator econômico dando ordens. Esquecem estes zeladores que a hora da tapeação passou. Os nossos atos não passam pelos nossos mentores, que são os Nkinsis, despercebidos. Os Nkinsis estão atentos àqueles que se esquecem de que o amor ao próximo é princípio básico de todas as crenças religiosas.

Se ao Tata Kambondo cabe a proteção do terreiro, ao zelador cabe a responsabilidade de ser o conselheiro espiritual, não podendo fugir nunca à responsabilidade que assumiu.

O trabalho de base e o discernimento do certo e do errado.

O verdadeiro médium deve desconhecer o ódio e sua cartilha deve ser a caridade.

Quanto ao aperfeiçoamento só nos resta dizer que o médium consegue através da leitura de mestres bem escolhidos, os melhores ensinamentos, que poderão e deverão ser aplicados a sua vida prática.

É preciso que nós, responsáveis pela formação de médiuns, sejamos sinceros e que façamos nossas obrigações dentro do rito de nossa fé, com amor e abnegação.

Devemos formar fiéis conscientes de seus deveres, caridosos em seus atos e verdadeiros líderes de seus grupos, sem o que não poderá substituir seus zeladores em nossa religião.

Seremos nós, se assim não o fizermos os próprios culpados.

Tateto Nepanji

Candomblé: uma dádiva afro-brasileira

Quando falamos de Candomblé, estamos falando de uma religião brasileira com raízes africanas milenares que muito tem contribuído para a manutenção da fé de grande parte do povo brasileiro e que chegou até nós através dos nossos ancestrais, cuja beleza e realidade não se pode contestar.

O Candomblé oferece aos participantes um visual coreográfico de esplendida beleza, quer nas suas vestimentas como em seu ritual.

A contribuição que o Candomblé tem dado ao nosso país vai desde a manutenção da fé religiosa, como também em divisas econômicas. Imaginem que para o Candomblé são vendidas inúmeras coisas que geram impostos, o que é uma contribuição muito, muito valiosa, pois o país, como os demais, vive de arrecadações. E isto o Candomblé oferece, não só com os produtos de fabricação brasileira, bem como os produtos para o nosso uso. Sem falar na exportação que já se faz para Portugal, Uruguai, Argentina, Paraguai etc.

Gerando impostos de importação e exportação, certamente estamos gerando empregos, e gerando empregos, estamos contribuindo para o pão de cada dia entre inúmeros irmãos brasileiros e estrangeiros.

E a fé?

A fé, quando a temos ordenadamente sem fanatismo, produz tranqüilidade e a tranqüilidade é uma das coisas mais importantes para o ser humano, o, que temos que conservar para nosso bem estar.

O mais importante, é que o Candomblé, que foi outrora tanto perseguido e difamado, é hoje o ponto de apoio de inúmeras pessoas de todas as camadas sociais. Poderíamos dizer que o Candomblé é uma religião de ricos e pobres, sem distinção da cor da pele, embora muitos digam que o Candomblé é religião de negros, o que não está de todo errado, pois nossos Nkinsis/Orixás são negros pelas suas raízes e brancos como é a cor de Lemba/Oxalá, pelas suas essências, que fortificam e nos conduzem para o bem comum.

O Candomblé possui saudações e linguajar próprio. Possui suas cores adequadas que servem para identificar cada Nkinsi/Orixá, de acordo com sua nação.

Quando os cultuadores da nação Angola/Kongo saúdam ao Nkinsi Nkosi, eles o fazem na certeza de que aquele elemento da natureza movimentará suas forças para a defesa de seus filhos dentro de seus merecimentos. O mesmo ocorre quando se canta para todos os Nkinsis, pois, através dos cânticos e rezas vai se criando uma atmosfera de paz e tranqüilidade geral.

Tem sido uma preocupação constante dos dirigentes do Candomblé criar, para seus seguidores e frequentadores, segurança viva para os dias presentes e futuros. O Candomblé nunca foi e nunca será uma religião de discórdia, conforme afirmam alguns fanáticos de algumas seitas evangélicas mal orientadas, e que vivem a nos combater através de informações que lhes são passadas por elementos que não cumpriram devidamente os ensinamentos e preceitos que lhes foram passados pelos seus zeladores de Santo. A insatisfação tomou conta de suas mentes doentias, faltando com a  caridade tão apregoada em suas reuniões, oferecendo a salvação como se fossem eles o verdadeiro Messias.

A salvação se dará um dia, mas para isto teremos que pautar nossos atos dignamente, com a família, com a sociedade e com a religião, independentemente de qual seja ela.

O Grande Arquiteto do Universo, ao definir papéis nesse plano, não determinou que a salvação se daria através de uma Bíblia na mão, com colares ou contas no pescoço, como é o nosso caso, e muito menos ajoelhado em uma igreja. A salvação se dará sim, através de atos que dignifiquem a nossa alma e consciência, e, o nosso procedimento deve ser correto e pacífico, pois somente com muito amor conseguiremos a verdadeira união de todos os candomblecistas e de todas as religiões.

A União, o trabalho, com o respaldo do amor, será sem dúvida nenhuma, o maior Gunzo/Axé que em português quer dizer força, e somente pela força representada pela união de todos, conseguiremos colocar o Candomblé em seu devido lugar.

Tateto Nepanji

Projetos sociais desenvolvidos nas Comunidades de Terreiro

Observação: Este texto é a transcrição de uma palestra proferida pelo então consultor da UNESCO junto à SEPPIR-PR na Assembléia Legislativa do Espírito Santo em 2007 – Nilo Sérgio Nogueira (Tata Kis’ange) – Kivonda desta casa.

Bom dia a todas e a todos,

Projetos sociais são sempre um tema em evidencia. Todavia, falar sobre os mesmos não é muito fácil, pois, a maioria dos cidadãos e cidadãs têm uma concepção própria do que se trata. Além disso, a literatura cientifica sobre projetos sociais também apresenta suas variações.

Face ao exposto, torna-se muito complexo elencar juízo de valor sobre a matéria, dada a vastidão de itens que os compõem e o que é pior, o incomensurável alcance de benefícios que os cercam.

Não existe uma maneira ou forma mais transparente de abordar o assunto sem nos voltarmos para o Terceiro Setor, que possui, hoje, elementos fundamentais e todo um embasamento teórico, calcado no dizer de vários pensadores, para desenvolver, na prática, todo tipo de inclusão, a partir das interações necessárias para o seu entendimento pela sociedade civil.

Tendo o exposto como ponto de partida, chegamos às Comunidades de Terreiro, que, não obstante o seu valor sócio-religioso, agrega um valor maior que é o encontro do “ser” com o “eu” interior, na busca permanente da felicidade e da paz de espírito no mundo terreno, alicerçados na base do aprendizado e conhecimentos transmitidos por nossos ancestrais, através da interpretação dos mistérios, ainda hoje não desvendados, mas que buscam esse encontro em nome de um Deus, amplamente falado, mas muito pouco sentido na plenitude do amor desejado e derramado.

Chegamos a um impasse de convicções.

De um lado, aquele que busca a ajuda e o lenitivo para sua dor, e, do outro lado, aquele que acredita ser o instrumento norteador e capaz de auxiliá-lo na cura dessa dor.

O que é a dor?

A fome é dor.

A falta de instrução é dor.

A perda de entes queridos e amados é dor.

A distância leva à dor.

A saudade gera a dor.

A dor nos distancia da inclusão social.

Diante de tudo, o religioso dirigente de uma determinada Comunidade de Terreiro tem uma responsabilidade ímpar.

Tal qual organizações do Terceiro Setor legalmente constituídas, a Comunidade de Terreiro aqui dirigido por esse religioso, chefe de Terreiro, Pai de santo, mãe de santo, babalorixá, yalorixá, e, me perdoem se deixei de citar alguma denominação, tem o mesmo papel.

Dentro do estado legal das instituições, existe a situação de “fato” e a situação de “Direito”.

A situação de Direito é aquela que de fato cumpre o que preceitua a lei.

A situação de fato é aquela que muitas vezes ocorre à margem dela.

Não queremos aqui entrar no sincretismo religioso e seus mistérios, nem tampouco confrontar os doutores da lei.

As duas searas adquiriram o conhecimento através do aprendizado ensinado, vivenciado, ou seja, passado de um para o outro. Cada qual ao seu tempo. Do ensinamento prático e da prática do ensino.

Caracterizamos aqui a necessidade de praticar e sempre aprimorar para não nos tornarmos obsoletos, e isso é um fato, bem como, temos necessidade de cumprir a lei, indispensável ao desempenho do que nos propusemos a fazer.

Está aí o ponto de partida para vários projetos sociais.

As Comunidades de Terreiro devem, em primeira instância, legalizar-se na sua constituição e filiação à entidade representativa estadual local e até federal, se for o caso, para então pleitearem qualquer tipo de ajuda que transcenda a sua capacidade de ação.

São vários os projetos sociais que podem ser desenvolvidos por essas comunidades, além dos serviços de caráter assistencialista para o combate à fome.

Organizar oficinas do saber, do conhecer e do fazer, é um caminho.

Promovam, além do amor, o trabalho.

Geração de emprego e renda. Artesanato a partir da cultura local.

Promovam, além da paz, a educação, principalmente a educação. Aí podemos citar como exemplo a alfabetização de adultos, alfabetização de crianças, aprendizado de um novo ofício.

Trabalhem, vias de fato e de direito, pela inclusão social.

O trabalho das instituições do Terceiro Setor, dentre as quais as comunidades de terreiro se incluem, objetiva, em última análise a transformação do ser humano, e toda transformação só se justifica se for para melhor.

Por sua vez o governo, enquanto primeiro setor tem os mesmos objetivos sociais do Terceiro Setor, diferenciando-se pela iniciativa. Também promove estudos e pesquisas, desenvolve serviços, visando o bem estar social.

Agradeço a oportunidade de aqui estar, compartilhar e aprender com todos vocês.

Conselhos aos médiuns

Você que é médium, que empresta seu aparelho para que através dele haja manifestação dos espíritos ou seja, os Pretos Velhos, Caboclos e outras entidades, que através dos conhecimentos adquiridos pelos mundos em que passaram, vêm ao mundo terrestre incorporar em uma matéria pecaminosa que somos nós, para fazer a caridade, deve-se cuidar através de bons pensamentos, das boas ações e das boas obras, pois o verdadeiro médium é aquele que sabe orar para ele e para os outros. Procure obedecer sem fanatismo às orientações recebidas de seus guias espirituais; procure respeitar seus irmãos dentro e fora das sessões; procure acatar as ordens de seus chefes (dirigentes) dos centros com amor e carinho, pois sabendo obedecer saberá dirigir; procure viver em paz com seus irmãos de corrente espiritual; procure aprender mais com isenção de vaidade, pois o médium vaidoso é comparado a um barco no oceano, sempre manobrado pelo vendaval, e nesse caso o vendaval que o manobrará, é a corrente inferior  que aproveitando de sua vaidade o dirige a seu bel prazer.

Há médiuns que se julgam superiores a seus irmãos, simplesmente porque recebem uma determinada entidade. Coitado! Não sabe ele que esta mediunidade é as vezes até coberta de certa maravilha que lhe foi dada para cumprimento a uma lei divina, ou seja, de uma oportunidade aos seres humanos de resgatarem seus débitos de vidas anteriores. Neste caso nada estará fazendo o médium incorporado para atender aos que dele necessitam. Lógico, que também não deve o médium servir de exploração daqueles que muitas vezes querem deixar seu problema exclusivamente para o espírito resolver, pois não sabem os consulentes que a maior parte dos médiuns não dispõem de recursos suficientes para se manterem e, desta forma, não podem ficar exclusivamente por conta dos conhecidos 7 roncós, ou sejam, daqueles que fazem a verdadeira via sacra de terreiro em terreiro e de médium em médium, tentando com isso as vezes dar expansão às suas baixas paixões. E necessário que também os consulentes tenham o esclarecimento preciso que não se deve exceder nos pedidos, pois cada qual recebe segundo o seu merecimento. Muitas vezes nossos amigos espirituais encontram dificuldades para nos atender pela nossa incompreensão e as vezes falta de fé. O que pedimos hoje queremos receber no dia seguinte, e isto é impossível pois há casos em que a aura da pessoa está tão sobrecarregada que é preciso tempo mesmo para as entidades espirituais serem limpas à altura de terem meios para se moverem.

É por isso que eu fico por entender, muitos cidadãos vaidosos, conforme já tive oportunidade de ouvir de alguém que, a partir de seu cargo de “Babalorixá”, julgava-se superior a um Preto Velho. Dizia essa pessoa ter poderes para entrar em um “Ronkó”(quarto reservado para a feitura de santo em terreiros de Candomblé), e o Preto Velho não podia fazer. Pobre coitado e vaidoso acima de tudo, quem pode discutir quantos “Ronkós” os Pretos Velhos já entraram antes de deixar sua matéria sob a terra: certamente que muitos. Outra observação: em quantos lugares pode ir o Preto Velho através de sua invisibilidade  e que nós não temos nem o direito de chegar perto dado às nossas falhas e orgulhos. Tenho ouvido também dirigentes de centros e homens até de muito conhecimento dizerem que já aprenderam muito e não necessitam mais aprender. Quem realmente pode se julgar tão sábio se a vida nos ensina que o aprendizado não para nunca? Não sabem eles que nós somos aqui passageiros com passagem de volta, que não caduca, pois teremos que regressar no dia certo à pátria de onde viemos. Se partíssemos deste princípio não haveria mais necessidade de aperfeiçoamento para “Catedráticos”, pois aprenderam o máximo e neste caso para que perder tempo com mais estudos?

Assim é a vida, cada qual com sua vaidade, não perder um só milímetro para seus irmãos , o que nos resta é seguir uma antiga frase, Kueto no Kueto (cada qual no seu).

Tateto Nepanji