Formação de fiéis e aperfeiçoamento para o Candomblé

O tema que nos propomos apresentar é o da formação e do aperfeiçoamento dos fiéis. Trataremos aqui do médium iniciado e não do fiel que apenas freqüenta as casas de Candomblé, pois são aos iniciados que estão entregues os destinos de nossa religião. Denomino aqui o Candomblé como religião por ser ele seguido por grande parte dos habitantes de nosso país.

Sabemos que por falta de conhecimento muitos elementos que militam em nossa religião cometem erros por vezes infantis, e que refletem diretamente em seus zeladores, conseqüentemente, naqueles bem intencionados que lutam dia e noite em favor da religião que nos foi legada pelos nossos ancestrais e trazidos de tão longínquas terras africanas, conforme nos deram notícias nossos antecedentes e antecessores. Aliás, eles nos têm prestado inúmeros benefícios, quer na palavra meiga de um Preto Velho, ou nos eflúvios bendito de nossos Nkinsis.

Torna-se necessário que examinemos as questões dentro de um terreiro. Neste local, é necessário que haja uma conscientização do que sejam equilíbrio moral, tolerância e amor ao próximo, armas poderosas a fim de nos aperfeiçoar e, dessa forma, criarmos em nosso redor, chamas positivas de bem estar e que automaticamente transmitiremos aos nossos irmãos de fé, iniciados.

Dentro de um terreiro as inúmeras funções que desempenhamos com amor e carinho nos levarão um dia, diante de Nzambi, com a certeza da missão cumprida.

Somos sempre procurados, em nossos terreiros por fiéis que desejam saber se determinado irmão está demandando com outro irmão ou com ele próprio. Esquecem ou esqueceram estes irmãos que a demanda é tão ruim para quem ganha como para quem perde. Na realidade ambos saem perdendo. O que é necessário é que cada um procure melhorar seus atos e pensamentos. Demanda é um termo que deveríamos abolir. Nunca deveria ter chegado a existir. Destacamos a palavra “demanda” porque ela é muitíssimo usada nos meios mediúnicos. Mas a série de formação errônea para o mal intencionado não para por aí.

Não será a demanda uma forma de inferioridade de quem a provoca e de quem a aceita? Seria melhor que não existisse esse termo e nem o seu conceito fosse difundido.

O melhor seria que pudéssemos substituí-lo por aprendizado correto.

Vamos treinar o perdão e pregar a não violência, pois, demanda é uma provocação. Quando deixar de existir os terreiros que aceitam demandas, teremos, por certo, maior número de irmãos e fiéis.

Após a injeção de ânimo poderemos nos preparar para a caminhada de paz e do progresso inoculado nas almas dos homens desviados da senda do bem comum.

A mediunidade a serviço da demanda não só é perigosa como não consta das Leis de Nzambi (Deus). É sabido que um médium galga gradativamente seu estágio de formação. Este médium, ao transpor os umbrais de nossa religião, traz consigo uma responsabilidade muito grande, qual seja a de respeitar e transmitir aos iniciantes seus ensinamentos. Como fazer isto se não houver uma formação e um aperfeiçoamento adequado?

O médium ou elemento iniciante deve saber pautar os seus atos e perdoar quando necessário. Existem inúmeros médiuns espalhados pelo Brasil, mas infelizmente grande maioria carece de ensinamentos mais apurados, de orientação mais adequada para não causar inúmeros acontecimentos desagradáveis. Vimos formando médiuns, por muitos anos, utilizando-nos da divulgação dos próprios benefícios obtidos e assim arrebanhando inúmeros supostos Umbandistas ou Candomblecistas que foram agregando valores sem que houvesse o conhecimento mais apurado desse saber e muitas vezes, a própria falta de escrúpulos os fizeram deturpar os nossos objetivos, colocando-nos em ridículo diante da opinião pública.

É nosso dever seguir em frente, lutando pela qualidade e não pela quantidade.

Precisamos separar o joio do trigo.

Agora meus irmãos e amigos, a parte mais terrível da formação sem base e que ocorre de um modo geral em alguns Candomblés é aquela em que alguns zeladores, com a vista voltada aos seus interesses particulares, arvoram-se em verdadeiros donos da sabedoria e da verdade, criando novos médiuns em idênticas condições, predominando a falta de conhecimentos, numa verdadeira bola de neve que cresce sempre. Transformarão ou pretendem transformar, ou mesmo não se importam em transformar a religião numa verdadeira fábrica para fazer médiuns. Não existe preparação, exame e consciência. Existe apenas o fator econômico dando ordens. Esquecem estes zeladores que a hora da tapeação passou. Os nossos atos não passam pelos nossos mentores, que são os Nkinsis, despercebidos. Os Nkinsis estão atentos àqueles que se esquecem de que o amor ao próximo é princípio básico de todas as crenças religiosas.

Se ao Tata Kambondo cabe a proteção do terreiro, ao zelador cabe a responsabilidade de ser o conselheiro espiritual, não podendo fugir nunca à responsabilidade que assumiu.

O trabalho de base e o discernimento do certo e do errado.

O verdadeiro médium deve desconhecer o ódio e sua cartilha deve ser a caridade.

Quanto ao aperfeiçoamento só nos resta dizer que o médium consegue através da leitura de mestres bem escolhidos, os melhores ensinamentos, que poderão e deverão ser aplicados a sua vida prática.

É preciso que nós, responsáveis pela formação de médiuns, sejamos sinceros e que façamos nossas obrigações dentro do rito de nossa fé, com amor e abnegação.

Devemos formar fiéis conscientes de seus deveres, caridosos em seus atos e verdadeiros líderes de seus grupos, sem o que não poderá substituir seus zeladores em nossa religião.

Seremos nós, se assim não o fizermos os próprios culpados.

Tateto Nepanji

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