Toque para Nkos’i – reabertura da casa

No último dia 29/01/2022 celebramos, com um breve toque, o dono de nossa casa, o inquice Nkos’i. Devido à continuada situação sanitária mundial, com a ainda corrente e letal pandemia da COVID-19, nosso toque foi bastante cuidadoso, guardando a exigência de que todas e todos mantivessem suas máscaras, distância entre si, etc. Tampouco foram feitos convites para o toque, pois a orientação de Tateto Nkos’i era a de não encher a casa. Ademais, em uma necessária, porém atípica, demanda de nossa comunidade, pedimos a todas e todos que evitassem o contato físico entre sí. Nossos inquices dançaram, mas sem os saudosos abraços que queríamos distribuir.

Mesmo assim, nos alegramos com a celebração. Foi emocionante receber inquices em nosso barracão, que dançaram e nos abençoaram com a sua presença. E, para abrilhantar mais ainda nossa festa, celebramos os 51 anos de santo de Tateto Nepanji, com a presença de nossa tia Mameto Embanda, irmã de santo nosso pai, que neste ano completa 49 anos de santo. Na foto abaixo fica o registro da presença de nossa tia, ao lado de seus dois irmãos, também filhos de Mameto Oloiá: pai Nepanji e Tata Kis’ange.

Le Mambuko Tateto Nkos’i!

Feijoada Solidária

O ano de 2021 trouxe inúmeros desafios a toda a população mundial, visto a continuada pandemia da COVID-19, que desde 2020 a humanidade enfrenta. Além desses desafios, a Cabana Senhora da Glória enfrentou no ano passado outros problemas, motivados por ódio, tendo sofrido múltiplas invasões, quebra de imagens e outros itens, ademais de alguns roubos. Dentre todos os prejuízos, destaca-se a destruição da imagem histórica de Iemanjá que adornava nosso Gongá umbandista. Essa, cabe dizer, foi a primeira imagem a ser levada em carreata na tradicional festa de Iemanjá da Lagoa da Pampulha, cujas primeiras edições foram organizadas por nosso Tateto Nepanji. Hoje a festa é reconhecida como Patrimônio Cultural do município de Belo Horizonte (mais informações neste link).

Não obstante todo o ódio endereçado a nós, à nossa ancestralidade e ao nosso sagrado, marcas do racismo e, em específico, do racismo religioso brasileiro (para entender mais sobre racismo religioso, leia o texto deste link), a nossa casa propõe celebrarmos o amor e a beleza da nossa história, em comunhão com todas e todos. Para tanto, realizaremos no próximo dia 30/01/2022 o evento “Feijoada Cultural de arrecadação cultural”, no espaço Odara, no bairro União, em Belo Horizonte. Parte da arrecadação do evento será doada pelo Odara à Cabana Senhora da Glória, para apoiar a nossa reconstrução.

Sobre o evento
Objetivo: Arrecadar recursos para recompor as perdas sofridas pela Cabana Senhora da Glória por conta da violência e do racismo religioso.
Ação: Arrecadação via ingresso para o evento ou doações esporádicas para fomentar este suporte.
O evento: O evento acontecerá no Odara (rua Arthur de Sá, 380 – União), os ingresso irão cobrir os custos básicos para realização do evento e o lucro será doado à Cabana Senhora da Glória. Haverá prestação de contas e anúncio de agradecimento final. O Odara possui divisão de ambiente e possui lotação máxima de 190 pessoas. Serão realizadas rodas de conversa em sala separada (capacidade máxima de 30 pessoas) sobre a Cabana Senhora da Glória e sua história, bem como sobre a tradição afrorreligiosa brasileira. A feijoada é liberada para todas e todos as/os participantes, que contarão também com o som ambiente entre apresentações e show do grupo de resgate de tradição do samba rural “herança ancestral” e apresentação e exposição da percepção do atabaque na nossa tradição.

Ingressos podem ser adquiridos antecipadamente. Clique aqui.

Visita de Tata Kisange e Kota Neganji à casa irmã Filhos do Bate Folhinha

No último dia 27/10/2021, nosso Tata Kisange e nosso Kota Neganji fizeram uma visita à nossa casa irmã Filhos do Bate Folhinha, liderada pela querida Mameto Embanda, irmã de santo de Tateto Nepanji e de Tata Kisange.

Mameto Embanda é uma dessas figuras simpáticas que encontramos nos Candomblés e nas Umbandas. É filha de santo do último barco da saudosa Mameto Oloiá, que foi também quem iniciou as lideranças de nossa casa e plantou nosso ngunzo e nos orientou em nossos primeiros passos pelo Candomblé. Ademais, Embanda foi a primeira mãe de santo de Nenzinha, neta carnal de Mameto Oloiá e atual zeladora de nossa casa mãe, o Bate Folhinha de Salvador.

Já senhora de idade, Mameto Embanda recebeu muito afetuosamente os filhos do nosso terreiro, na cozinha da sua casa – locus sagrado de ensinamentos nos Candomblés, e de café também! Conversou sobre os velhos tempos e sobre a afrorreligiosidade umbandista e candomblecista de Belo Horizonte como um todo. Junto a Tata Kisange e Kota Neganji, reforçou os laços e os afetos de uma relação antiga e potente, que segue viva e forte ainda no presente.

Makuiu, Mameto Embanda!

Live / Podcast: Papo na Encruza, com Tata Mubnzazi

Na sexta-feira, 29/10/2021, nosso Tata Mubnzazi, Kambondo Mabaia da nossa casa, participou da live/podcast Papo na Encruza, em que conversou com os apresentadores e ouvintes sobre a Umbanda e a Cabula, religiões mães da nossa Cabana Senhora da Glória.

Confira o vídeo abaixo:

Tradição Calunduzeira – Live de nosso Tata Mub’nzazi

Nosso Tata Mub’nzazi participou, na terça-feira dia 14/07/2020, o debate “Tradição Calunduzeira: um conceito diaspórico”. A conversa, que contou com a participação da pesquisadora Cléa Leite, foi realizada em formato de live, ou seja, de videoconferência, cuja íntegra está disponível no YouTube e reproduzida abaixo.

O conceito de “tradição calunduzeira” embasa toda a historia da formação das religiões afro-brasileiras, resgatando sua historicidade desde os Calundus coloniais. Foi criado pelo nosso ogan, que é Doutor em Sociologia, em diálogo com o Calundu – Grupo de Estudos sobre Religiões Afro-Brasileiras. Sua explicação pode ser vista no vídeo da live.

Calundu em Harvard e a Cabana Senhora da Glória também!

No mês de dezembro de 2019, entre os dias 11 e 13, o Calundu – Grupo de Estudos sobre Religiões Afro-Brasileiras apresentou na Universidade de Harvard o painel “Desafios contemporâneos para o exercício de fé do Povo de Santo no Brasil”. Tratou-se de um momento importante para a educação sobre as religiões afro-brasileiras e seus adeptos, além de ser um marco na internacionalização da luta das comunidades de terreiro pelo direito de livre prática religiosa, que é tão antiga e combatida no Brasil.

A Cabana Senhora da Glória, ademais de apoiar o Grupo Calundu desde seu início, esteve representada no evento por nosso Tata Mub’nzazi, que é integrante do grupo e um de seus fundadores. Sua fala, junto à das participantes e egbomis do Candomblé Ketu Ariadne Oliveira e Andréa Guimarães, foi registrada pelo irmão Dom Filó, do lendário Movimento Black Rio e da Cultne – Acervo Digital de Cultura Negra. Veja nos vídeos abaixo as três falas.

O Grupo Calundu e seu trabalho (Egbomi Ariadne Oliveira)

Tradição Calunduzeira (Tata Mub’nzazi – Guilherme Nogueira)

Racismo Religioso (Egbomi Andréa Guimarães)