O tempo do Candomblé

Observação: este texto foi adaptado de falas e outros trabalhos de nosso patriarca, Tateto Nepanji, para a finalidade de ser publicado na Internet.

O Candomblé vem sendo cultuado em nossa casa há mais de meio século, a partir das determinações de Pai Guiné de Aruanda. Foi o atendimento às determinações de nosso mentor espiritual – atendidas a partir do auxílio da baiana Mameto Oloiá, mãe de santo de Tateto Nepanji e de Tata Kis’ange – que trouxe essa religião para a nossa casa.

Nossa história se confunde com aquela da chegada do Candomblé Angola em Minas Gerais. Efetivamente, ao falar de nosso início, que se deu a partir da iniciação de Tateto Nepanji, estamos falando também da introdução do Angola Konguense ou Moxicongo no estado. Com isso, referimo-nos ao fato do Candomblé Moxicongo somente ter vindo para o nosso estado em maio de 1964, quando foram assentados os fundamentos desta nossa casa. Como templo religioso a casa fora fundada em 1961, e funcionava na rua Araras, bairro Concórdia. Todavia, até a plantação dos fundamentos candomblecistas praticávamos unicamente a Umbanda.

Àquele tempo Belo Horizonte era uma cidade ainda virgem em relação ao Candombé. O que víamos era um pouco de cada coisa, uma “milonga”, mistura perfeitamente justificável pelo não conhecimento mais apurado, não sendo, pois, motivo para nenhuma censura ou descrédito. Com efeito, à época, cada praticante procurava dar o melhor de si para o crescimento das religiões afro-brasileiras por aqui. Foi nesse ponto que a nossa casa teve uma participação efetiva na vinda do Candomblé para o estado.

Com a iniciação de Tateto Nepanji foi iniciado um processo de migração de pessoas até então ligadas à Umbanda para uma nova vida religiosa, fundada na prática do Candomblé. E várias destas pessoas escolheram o Moxicongo como caminho para a sua fé. Assim, outros religiosos foram iniciados em nossa casa, tornando-se a Cabana Senhora da Glória – Nzo Kuna Nkos’i o templo onde Mametu Oloiá fez a introdução dos primeiros iniciados do Candomblé Moxicongo em Minas Gerais.

Tateto Nepanji
Tateto Nepanji (Janeiro/2015)

Tradição: nossos mais antigos

No ano de 1881, Salvador, Bahia, nasceu Manuel Bernardino da Paixão (Ampumandeuza). Com o passar do tempo, Bernardino já muito famoso fundou o Candomblé Bate Folha, situado na Mata Escura, em Salvador, Bahia. O terreno onde está estabelecido o Candomblé é cercado de árvores centenárias e considerado o maior terreiro do Brasil. Quando fundado foi presenteado à Bamburusema, seu segundo mukixi, já que o primeiro era Lemba.

Pai Bernardino Bate Folha era filho de santo de Manoel Nkos’i, africano nascido no Congo e, por isso, conhecido como moxicongo (a palavra moxicongo, da língua kikongo, traduz-se ao português, literalmente, como nascido/a no Congo). Após o falecimento deste pai de santo, o fundador de nossa tradição entregou sua cabeça para sua amiga Maria Neném, que então veio a se tornar sua mãe de santo. Famosa mameto soteropolitana, Maria Neném é conhecida como a grande mãe da nação angola e, dentre outros, foi também mãe de santo de Pai Ciriaco, fundador do Candomblé do Tumba Junsara.

Destacamos ainda dois nomes: Helena Dias do Nascimento (Mameto Oloiá), filha de santo de Bernardino Bate-Folha, e, Joana Maria da Conceição (Mameto Tulemburá), filha de santo de Ciriaco, irmão de Bernardino. Ambas, em diferentes momentos, comandaram obrigações e cuidaram da cabeça de nosso Tateto Nepanji, contribuindo, assim, decisivamente, com a história de nossa casa.

Quando o nkisi encontra a família de sangue…

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