Por uma sociedade sem racismo religioso

Como se sabe, a Cabana Senhora da Glória – Nzo Kuna Nkos’i foi alvo, em 2021, de crime de ódio, de racismo religioso, em que a nossa imagem de Iemanjá, que há décadas reinava em nosso gongá, foi quebrada. Esse ataque, cabe dizer, não foi só à nossa casa. Foi também a toda a afrorreligiosidade e, paralelamente, ao município de Belo Horizonte, visto que a Iemanjá quebrada era histórica – a imagem foi usada no primeiro cortejo da festa de Iemanjá da Lagoa da Pampulha, que foi iniciada por Tateto Nepanji e hoje é patrimônio imaterial da cidade.

A luta contra o racismo religioso não é só nossa. De todos os apoios que recebe, em 01/07/2022 a história da invasão à nossa casa foi publicizada novamente, em Brasília, a partir de entrevista com nosso Tata Mub’nzazi.

Clique aqui para ler a reportagem.

Live / Podcast: Papo na Encruza, com Tata Mubnzazi

Na sexta-feira, 29/10/2021, nosso Tata Mubnzazi, Kambondo Mabaia da nossa casa, participou da live/podcast Papo na Encruza, em que conversou com os apresentadores e ouvintes sobre a Umbanda e a Cabula, religiões mães da nossa Cabana Senhora da Glória.

Confira o vídeo abaixo:

O povo de santo e a sobrevivência em meio à pandemia

Em 28/09/2021, como parte das atividades da Semana Universitária de 2021, da Unversidade de Brasília, Tata Kisange e o Pai Ricardo – filho da Cabana Senhora da Glória e dirigente do terreiro de Umbanda e Associação da Resistência Cultural Afro-Brasileira Casa de Caridade pai Jacob do Oriente – serão os debatedores do evento Encontros Afrorreligiosos VI: o povo de santo e suas estratégias de sobrevivência em meio à pandemia.

A proposta da atividade é gerar um espaço de compartilhamento sobre como as religiões afro-brasileiras têm sido praticadas e vividas ao longo da pandemia do covid-19. Diante desse contexto, muitas casas de santo foram impossibilitadas de realizar suas atividades plenamente, exigindo adaptações. Nesse período, as casas têm articulado estratégias para a continuidade e preservação das suas atividades, sejam religiosas, ou de prestação de serviço à comunidade e gestão do seu espaço, bem como as possíveis atividades à distância. Na intenção de compreender melhor as experiências vivenciadas pelos povos de terreiro, o grupo de estudos Calundu, que desenvolve há anos atividades de pesquisa e extensão na temática, propõe diálogo entre representantes de comunidades afrorreligiosas, com o intuito de falar sobre como o cotidiano foi afetado pelas adaptações sanitárias que o contexto exige.

O debate será conduzido por nosso Tata Mubnzazi.

Tradição Calunduzeira – Live de nosso Tata Mub’nzazi

Nosso Tata Mub’nzazi participou, na terça-feira dia 14/07/2020, o debate “Tradição Calunduzeira: um conceito diaspórico”. A conversa, que contou com a participação da pesquisadora Cléa Leite, foi realizada em formato de live, ou seja, de videoconferência, cuja íntegra está disponível no YouTube e reproduzida abaixo.

O conceito de “tradição calunduzeira” embasa toda a historia da formação das religiões afro-brasileiras, resgatando sua historicidade desde os Calundus coloniais. Foi criado pelo nosso ogan, que é Doutor em Sociologia, em diálogo com o Calundu – Grupo de Estudos sobre Religiões Afro-Brasileiras. Sua explicação pode ser vista no vídeo da live.

https://www.youtube.com/watch?v=qP_hwtGfIcE&t=1s

Calundu em Harvard e a Cabana Senhora da Glória também!

No mês de dezembro de 2019, entre os dias 11 e 13, o Calundu – Grupo de Estudos sobre Religiões Afro-Brasileiras apresentou na Universidade de Harvard o painel “Desafios contemporâneos para o exercício de fé do Povo de Santo no Brasil”. Tratou-se de um momento importante para a educação sobre as religiões afro-brasileiras e seus adeptos, além de ser um marco na internacionalização da luta das comunidades de terreiro pelo direito de livre prática religiosa, que é tão antiga e combatida no Brasil.

A Cabana Senhora da Glória, ademais de apoiar o Grupo Calundu desde seu início, esteve representada no evento por nosso Tata Mub’nzazi, que é integrante do grupo e um de seus fundadores. Sua fala, junto à das participantes e egbomis do Candomblé Ketu Ariadne Oliveira e Andréa Guimarães, foi registrada pelo irmão Dom Filó, do lendário Movimento Black Rio e da Cultne – Acervo Digital de Cultura Negra. Veja nos vídeos abaixo as três falas.

O Grupo Calundu e seu trabalho (Egbomi Ariadne Oliveira)

Tradição Calunduzeira (Tata Mub’nzazi – Guilherme Nogueira)

Racismo Religioso (Egbomi Andréa Guimarães)

Terreiros contra racismo religioso

Neste mês de julho saiu, na Revista Darcy, da Universidade de Brasília, reportagem sobre a luta de afrorreligiosos contra o racismo religioso. Apesar de serem imprecisos os dados, há números que indicam uma escalada recente na violência contra terreiros – sempre existente em nosso país. Mais centros de Umbanda, Candomblés, casas de Tambor de Mina, dentre outros, vêm sendo atacados por pessoas que não respeitam a religião alheia e pelo próprio Estado. Pessoas, igualmente, vêm sendo agredidas com mais frequência pelas ruas do país. Como um todo, estes atos devem ser caracterizados como crimes de racismo – racismo religioso.

Nosso ogan Guilherme Nogueira, tata Mub’nzazi, é integrante do Grupo Calundu, da Universidade de Brasília. O grupo protagonizou o debate da reportagem e diferentes de seus integrantes, inclusive pai Mub’nzazi, foram entrevistados pelos repórteres da Revista Darcy. A ação do Grupo Calundu é apoiada pela Cabana Senhora da Glória – Nzo Kuna Nkos’i, que na figura de nosso tata se vê representada nesta luta por respeito e contra o racismo (religioso e todas as demais formas) brasileiro.

Expressamos, igualmente, nossos respeitos pelas falas do pai Carlos Juca, do terreiro de Umbanda Ogum Rompe Mato, e da mãe Baiana, do terreiro de Candomblé Ilê Axé Oyá Bagan. Ambos os terreiros são casas amigas de nossa Cabana.

A revista Darcy, com a reportagem em pauta, pode ser acessada neste link.

A questão da laicidade do Estado brasileiro e as religiões afro-brasileiras

Observação: Este texto é um artigo científico, publicado em 2018 no periódico acadêmico Revista Calundu, por Nilo Nogueira (Tata Kis’ange) e Guilherme Nogueira (Tata Mub’Nzazi). A temática é de grande interesse para as religiões afro-brasileiras e na luta contra o racismo religioso.
O texto completo pode ser acessado e baixado em formato .pdf neste link.
A Revista Calundu, com este e outros textos, pode ser acessada neste link.

Debatemos neste texto, a partir de pesquisa sócio-histórica e de um olhar desde dentro dos Calundus, a questão da laicidade do Estado brasileiro, problematizando algumas consequências da ausência de neutralidade do poder público sobre as comunidades de terreiro. Recuperamos como marco teórico os conceitos de secularismo e laicidade, movendo-nos, em seguida, a demonstrar como a ideia de Estado laico, historicamente, não se aplica ao Brasil. O tema, como debate, é campo de disputa não exclusivo no Brasil para a Sociologia da Religião, e torna-se mais complexo quando exposto junto a elementos que consubstanciam o cenário de racismo religioso brasileiro.

Seu Cangira deixa a Gira girar: A Cabula capixaba e seus vestígios em Minas Gerais

Observação: Este texto é um artigo científico, publicado em 2017 no periódico acadêmico Revista Calundu, por Guilherme Nogueira (Tata Mub’Nzazi) e Nilo Nogueira (Tata Kis’ange).
O texto completo pode ser acessado e baixado em formato .pdf neste link.
A Revista Calundu, com este e outros textos, pode ser acessada neste link.

Buscamos promover com o presente artigo um resgate da Cabula, religião afro-capixaba, antiga – a primeira a ganhar nome próprio a partir dos heterogêneos Calundus coloniais – e de culto aparentemente descontinuado no Brasil hodierno. Assim, a partir de bibliografia especializada e de informações coletadas com um religioso iniciado na Cabula – o pai de santo capixaba Tateto Nepanji, buscamos descrever os principais aspectos de seu culto e crença. Em seguida, apresentamos alguns vestígios de práticas cabulistas ainda presentes em rituais angoleiros praticados em Minas Gerais, onde pai Nepanji se radica. Os vestígios da Cabula apontam ainda para a força e continuidade de uma linguagem ritual angoleira, que sobrevive no Brasil desde os tempos dos primeiros Calundus coloniais.