O Senhor dos Caminhos e nossas decisões

Le mambuko Pambu N’jila.

Muitas vezes somos arguidos por consulentes, muzenzas e até mesmo adeptos de outros processos religiosos (cristãos, em maioria), sobre o “que” e o “porque” de determinada situação que estamos vivenciando custar a se resolver. Várias respostas podem ser dadas para esse questionamento e todas, sem exceção, nos levam a pensar sobre o “além” que rege nossa vida terrena.

Ledo engano.

Toda e qualquer situação que estejamos passando no plano terreno é fruto das nossas escolhas e exercício do livre arbítrio. Ninguém é responsável pelos e por nossos atos, a não ser nós mesmos. Nzambi, na sua infinita bondade e misericórdia, jamais nos desampara e muito menos nos abandona, mas respeita nossas decisões e escolhas, sempre nos orientando para o caminho do bem, até que estejamos prontos para o entendimento do “porque”.

Tateto Nepanji, zelador da nossa casa “Cabana Senhora da Glória – Nzo Kuna Nkos’i”, juntamente com Mameto Mutunji, mãe pequena dessa casa, e, meus pais pelos laços de sangue e família terrena, sempre me disseram: “faça o bem, mesmo que isso te custe o sono, porque a fatura chega para ser quitada em algum momento.” “Plantou e fez o bem ao semelhante, colherá o bem para sí mesmo.” Nessa linha, a recíproca também é verdadeira.

É bem mais fácil atribuirmos ao outro o revés de nossa vida do que olharmos nossas atitudes em relação ao outro ou a nós mesmos. O Candomblé, enquanto meio para o culto à ancestralidade e aos nkins’is, é, no meu juízo de entendimento, berço para a renovação de nossa energia, física e mental, mas jamais seria o próprio nkins’i ou muito menos o ancestral. Como local, é onde tomamos nosso banho de ervas sagradas e refletimos sobre nossa vida na fé ancestral que escolhemos, nos iniciamos ou somos confirmados, caso dos Tatas e das Makotas. A porta é única e ao cruzá-la, seja em uma ou outra casa, estamos conscientes que o nkins’i nos escolheu.

O tempo nos ensina isso. O tempo nos cobrará isso. O que é do nkins’i é dele. O Senhor dos Caminhos nos mostra, se assim pedirmos, qual passos seguir, mas, nunca interfere na decisão que tomarmos, mesmo porque, ela é nossa e não dele.

Tata Kis’ange

Uma resposta em “O Senhor dos Caminhos e nossas decisões

Deixe um comentário